quarta-feira, 21 de março de 2012

Variabilidade da Frequência Cardíaca cada vez mais próxima da clínica


A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é um dos indicadores de morbimortalidade que mais cresce na área cardiovascular e metabólica. 
Tal importância se dá pela capacidade de demonstrar fidedignamente o grau de regulação autonômica do coração com a aplicação um método simples.



Hon e Lee 1965 foram os primeiros que observaram a VFC no sofrimento fetal, sendo a sua associação com o infarto agudo do miocárdio (IAM) feita somente em 1977 por Wolf.
Apesar de o coração possuir automaticidade, os batimentos, ainda assim, sofrem influência do sistema simpático-vagal que pode ser mesurado pela distância entre os intervalos RR (domínio do tempo) ou pela frequência do estímulo (domínio da frequência) que são os dois modos mais simples de aferição.
A VFC também vem adquirindo papel promissor como instrumento de avaliação e acompanhamento no programa de reabilitação por ser um método de baixo custo, não invasivo e de fácil aplicabilidade por um curto período de tempo.

Figura 1 - Polar S810i, dipositivo utilizado para mensurar a VFC

Santos-Hiss e cols demonstraram alteração da VFC em pacientes com IAM, submetidos a um protocolo de reabilitação aplicado por apenas 5 dias, iniciado em menos de 24 horas da admissão.
Os resultados encontrados revelaram um decréscimo da atividade simpática, representada pela baixa frequência (LF - situada entre 0,03 a 0,15 Hz) e um acréscimo da atividade vagal, pela alta frequência (HF - situada entre 0,15 a 0,4 Hz), o que não ocorreu no grupo controle.

Figura 2 - Decréscimo da atividade simpática e aumento da atividade vagal no grupo tratamento
Fonte: SANTOS-HILL e cols

Esses índices demonstram que, quanto maior a atividade parassimpática, maior a VFC, e, consequentemente, melhor será a modulação autonômica com redução do risco arritmias e morte súbita pós IAM, demonstrando, assim, o efeito protetor do exercício a eventos agudos letais.
Os autores ainda ressaltam a possibilidade de o exercício afetar o remodelamento ventricular e reduzir o efeito adrenérgico sob o músculo cardíaco, aumentando o grau de entropia na modulação a cada batimento.
            Embora a boa sensibilidade e especificidade da VFC em predizer arritmias, morte súbida e prognóstico de pacientes com IAM, seus valores de referências ainda precisam ser melhores estabelecidos, principalmente em pacientes com diabetes, HAS, obesidade, dentre outras condições que também alteram a VFC e estão quase sempre presentes em pacientes cardiopatas.
           
Abraço a todos e até a próxima

Santos-Hiss M D B e cols. Effects of progressive exercise during phase I cardiac rehabilitation on the heart rate variability of patients with acute myocardial infarction. Disability and Rehabilitation, 2010; Early Online, 1–8. [Download AQUI]
Huikuri H, Stein P K. Clinical application of heart rate variability after acute myocardial infarction. Frontiers in Physiology. 2012. 3(41): 1-5. [DownloadAQUI]
Huikuri H V et al. Prediction of fatal or near-fatal cardiac arrhythmia events in patients with depressed left ventricular function after an acute myocardial infarction: cardiac arrhythmias and risk stratification after acute myocardial infarction (CARISMA) study group. European Heart Journal. 2009, 30: 689–698. [DownloadAQUI]

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