quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Células tronco no tratamento da SARA! Um futuro próximo

Seria este um futuro promissor? Certamente, entretanto esbarramos ainda em questões ditas como éticas e religiosas perante tal situação. Mas retirando este fato de campo a pesquisa nesta área está cada vez mais adiantada e penso que logo poderemos reduzir a taxa de mortalidade de pacientes com SARA, que hoje chega a 40%, para números expressivamente menores.
Mas para entender melhor primeiramente temos que nos lembrar da  Biologia onde ouvimos falar de células totipotentes, pluripotentes, multipotentes e unipotentes.
Os dois primeiros tipos representam as células presente no zigoto de até 32 células, são as unidades mais especializadas em diferenciação e podem dar origem a qualquer célula do organismo. As multipotentes, são aquelas encontradas no adulto na medula óssea que podem das origem a célula do tecido onde residem, mas ainda com algum potencial de se diferenciar em alguns tecidos, ja as unipotentes geram apenas um tipo celular.
A chave da terapia com células tronca na SARA está em solucionar o ciclo vicioso que existe durante o processo inflamatório, o qual se mantém até a deteriorização completa do organismo resultando em fibrose e perda gradativa da função pulmonar devido:

ESTÍMULO INFLAMATÓRIO > PROCESSO DE REPARO

Figura 1 - Fisiopatologia da SARA esquemática


Mas como essas células indentificam onde agir? Cientista acreditam que tal fato acorre devido a velha e conhecida quimiotaxia e atravessam a barreira do tecido graças a produção de proteína ligantes que auxiliam no transporte da célula para a área lesada.
O que mais chama a atenção são os tipos de lesões que atraem as células progenitoras (medula óssea): inflamação, necrose, lesão endotelial, citocinas etc. quer algo mais atraente para essas células do que a SARA???
Muitas vezes a reação inflamatória é tão intensa que as células encontradas na medula são incapazes de reparar de forma eficaz o sítio da lesão, dai se chamou a atenção para a utilização de células tronco exógenas como o auxílio para o organismo se regenerar rapidamente.
Estas por sua vez auxiliam com fatores antiinflamatórios, inibindo a fibrinogênese e acelerando o reparo com perda mínima da função pulmonar.
Em um estudo realizado no Estados Unidades mostrou que determinada quantidade (35) de celulas progenitoras endoteliais (ECP)  podem aumentar a sobrevida dos pacientes em torno de 70%, como mostra a figura abaixo

Figura 2 - Sobrevida de acordo a quantidade de  ECP





Claro que a produção dessas células é gravemente afetada por outros fatores como idade, sexo, comorbidades principalmente diabetes e doenças cardiovasculares. Além da sobrecarga de reparo e diferenciação ser altamente trabalhosa, ja que para a reconstrução do septo alveolar e todo sistema afetado exige a difenciação não só de um tipo celular mas de vários que ali constituem.

E logo assim que encerrado o processo de lesão a presença dessas células no plasma e no local de lesão é drasticamente reduzida, pois são raras , de alto consumo metabólico e um VO2 muito além da normalidade.

Figura 3 - EPC´s pré e pós - tratamento de pacientes com pneumonia bacteriana
Apesar do estudo ter sido feito com uma população de idade avançada podemos notar que ainda assim essas células são recrutadas durante o processo lesivo e logo em seguida o número presente é reduzido.
O grande desafio é a lesão existentes em outros órgãos principalmente rins e fígado devido a gama de citocinas liberadas na corrente sanguínea, mas não parece algo tão assustador para essas potentes células, recentemente tive a oportunidade de ir no Simpósio de Ventilação Mecânica, realizado no Hospital Albert Einstein em São Paulo e estudos já estão sendo publicados a respeito do assunto e melhor ainda por Brasileiros, os quais não conseguir encontrar, , a pesquisadora Patrícia Rocco da UFRJ é uma das que estão engatinhando com este estudo na bancada e logo esperamos os clínicos.
De uma coisa pela qual podemos ter certeza é que o contínuo avanço da ciência é quase que infreável, responsável pelo envolvimento de vidas e principalmente e lado financeiro da história. Contudo não sei até onde posso pensar no limite que move essa grande roda da ciência: preocupação com a saúde humana? aumento absurdo de fundos financeiros que estimulam a pesquisa científica? tanto renegada no Brasil pelo governo, principalmente no interior.
Não que seja contra a terapia muito pelo contrário são completamente a favor mas a questão financeira também pode gerar conflitos e embarrar pesquisas também e algo a ser pensado.
Mas o fato é que estamos na margem de um oceano imenso que teremos que nadar para alcançar o que queremos.
Não paramos por aqui e creio que ainda temos muito a aprofundar no assunto, mecanismo de diferenciação, interação com a área lesada consumo energético e por ai vai. 

Abraço e até o próximo!









Referências

Maron-Gutierrez, Tatiana. Stem cell therapy in acute respiratory distress syndrome. Rev Bras Ter Intensiva. 2009; 21(1):51-57. [Download AQUI]

Neuringer IP, Randell SH. Stem cells and repair of lung injuries. Respir Res. 2004;5:6.[Download AQUI]

Yamada M, Kubo H, Ishizawa K, et al. Increased circulating endothelial progenitor cells in patients with bacterial pneumonia: evidence that bone marrow derived cells contribute to lung repair. Thorax. 2005;60(5):410-3.[Download AQUI]

Majka M, Kucia M, Ratajczak MZ. Stem cell biology - a never ending quest for understanding. Acta Biochim Pol. 2005;52(2):353-8.[Download AQUI]





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