terça-feira, 30 de novembro de 2010

SIMV x AC - Ventilamos de acordo com as particularidades clínicas?


Perambulando no meio científico resolvir ler um pouco a respeito do dos modos SIMV, aquele mesmo que nos tradicionais estudos de Brochard e Esteban foi o responsável pela maior falha de desmame ventilatório  quando comparado ao PSV e tubo T e o AC, amplamente utilizado nas UTI´s no momento admissional.






Então achei um estudo recente realizado em 349 unidades de terapia intensiva de 23 países envolvendo os cinco continentes (América Latina, infelizmente o Brasil está fora,  América do Norte, Europa, Africa e Ásia), comparando os dois modos de ventilação no que diz a respeito de variáveis clínicas e mortalidade.
Foram analisados 350 pacientes ventilados no modo assisto controlado e 1228 em ventilação madatória intermitente sincronizada.
Encontraram dados favoráveis para a utilização do SIMV, apesar de algumas considerações a serem feitas, como o índice de gravidade que era estatísticamente menor no grupo de SIMV cuja maioria dos pacientes eram pós-operatórios e traumáticos conforme a tabela abaixo



Entretanto no que diz a respeito a mortalidade não foi encontrada diferença estatística, em nenhum dos quintis cuja a amostra foi dividida.


primeiro quintil = é o valor até ao qual se encontra 20% da amostra ordenada
segundo quintil  = é o valor até ao qual se encontra 40% da amostra ordenada
terceiro quintil  = é o valor até ao qual se encontra 60% da amostra ordenada
quarto quintil  = é o valor até ao qual se encontra 80% da amostra ordenada

O que chama a atenção para a propensão de utilização do SIMV segundo os autores é a menor utilização de sedativos, logicamente são pacientes menos graves e o uso dessas drogas muitas vezes não é interessante nesses indivíduos.



Apesar dos estudos envolvendo o SIMV como pior modo para desmame ventilatório isto não nos diz que ele não é recomendado para se ventilar determinados tipos de pacientes, este trabalho mostra bem isto e traz que não há diferença alguma na mortalidade.
Teoricamente a utilização desses dois modos deve ser considerada conforme a particularidade do quadro clínico, uma vez que pacientes menos graves necessitam apenas de um suporte parcial de ventilação e diferentemente daqueles com grau de enfermidade maior que necessitam da utilização de sedativos e maior monitorização de variáveis ventilatórias e de oxigenação. Desta forma, devemos considerar e triar os indivíduos para o tipo adequado de ventilação, preponderando custo benefício, efeitos deletérios do imobilismo e valores prognósticos.


Para download do arquivo completo clique aqui.




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