segunda-feira, 24 de maio de 2010

PENSANDO FISICAMENTE DPOC - Pt. 2

Olá grandes físicos, vamos novamente pensar e repensar só como nós sabemos!!!!
Retomando raciocínio do PENSANDO FISICAMENTE DPOC - Pt. 1, vamos agora ampliar nossa visão nesse indivíduo e começar a visualizar os outros sistemas que são afetados, sempre levando nossa visão à aquilo que nos compete.... ENXERGAAARRR FUNCIONALMENTE COMO TUDO OCORREEEEEE...... afinal, é assim que conseguiremos a nossa singularidade como fisioterapeutas nessa imensa guerra profissional, que nunca deveria existir.
Além de todas as alterações que ocorre no sistema respiratório, como a hiperinsuflação devido a destruição de fibras elásticas descadeando todo o processo fisiopatológico comentado na postagem anterior, também há acometimento das estruturas que estão interligadas, não devemos esquecer que o corpo humano é algo fascinante que se expressa através de arte - o movimento,
não somente aqueles externamente visíveis, mas toda a cascata que desencadeia na sua fisiologia (até mesmo o movimento de um neurotransmissor liberado na corrente sanguínea à ligação do seu sítio receptor na membrana celular) o que compete ao nosso conhecimento.
Para engatar e seguir vagarozamente como paramos de discutir as estruturas na caixa torácica vamos assim dar a continuidade.
O coração pelo fato de estar dentro da caixa torácica acaba sendo diretamente afetado, assim como os seus vasos. Com o tórax hiperinsuflado (aumento da capacidade residual funcional) os pulmões volumosos e com elevados níveis de pressão acabam comprimindo mecanicamente o coração, algo que pode ser identificado diretamente no raio X de tórax, frequentemente chamado de coração em gota.
Figura 1 - Hiperinsuflação - coração em gota.



O coração comprimido sofre alterações na sua complacência, ou seja, perde a capacidade de se distender durante o período diastólico e assim acomodar um volume diastólico maior, não esquecendo é claro da lei de Frank-Starling, com um músculo cardíaco não sendo distendido ao seu volume ideal logicamente a força de contração será reduzida, ocorrendo o mesmo mecanismo abordado na postagem anterior com as pontes de actina e miosina. 
Entretanto essa desvantagem será mais agravada com a resistência aumentada no leito vascular pulmonar ocasionada devido a perda de capilares no processo fisiopatológico e também pela compressão de vasos alveolares, sendo necessária a geração de uma força motriz maior pelo músculo cardíaco, que apesar da desvatagem de complacência cardiaca, o retorno venoso é reduzido devido a pressão positiva gerada no tórax.
A redução do retorno venoso por alterações pressóricas, ocasiona um congestionamento na veia cava e principalmente em estruturas vicerais como o fígado, alterando o metabolismo hepático.
Mas voltando ao coração e seus vasos, teoricamente com o aumento da resistência pulmonar o ventrículo direito (VD) acaba se adaptado sendo a médio e longo prazo hipertrofiado, ocorrendo o que chamamos de cor pulmonale.
Mecanicamente a hipertrofia do VD se faz de forma concêntrica, assim como ocorre na hipertrofia do ventrículo esquerdo (VE) por hipertensão arterial sistêmica (HAS), ocasionando uma dimunuição do lumen ventricular e consequentemente o volume diastólico final (VDF).

Figura 2 - Cor pulmonale



Não devemos esquecer que há também um sinergismo cinético ventricular, e com a parede do VD espessada de modo compensatório para gerar maior força contrátil, entretanto a parede septal anatomicamente acaba sofrendo toda pressão mecânica durante a disástole ventricular, logicamente a sua função será afetada tardiamente e afetando diretamente o VE.
A função do VE também possui sua pós carga aumentada devido o aumento da pressão intratorácica, que comprime a aorta e aumenta grandemente sua resistência. Devemos agora pensar que a força motriz gerada pelo VE tem que vencer além a resistência elática do vaso a pressão externa que ali existe, sendo assim, durante a diástole a força pressórica resultante será a força elástica somado a pressão externa existente na sua parede. Algo interessante é notar que durante esse período a força hidrostática é suportada pela valva aórtica, que consequentemente terá que suportar uma força além da habitual, então somente através dessa análise mecânica podemos visualizar que esses pacientes podem evoluir dessa forma com uma insuficiência aórtica sendo incapaz de manter o fluxo anterógrado na sua totalidade.

Com toda a desordem gerada no sistema cardiorrespiratório, tanto no sistema cardíaco direito como  no esquerdo as respercussões acabam se manifestando de forma sistêmica.
 Associando as disfunções até aqui ja geradas podemos perceber , de forma resumida, que esse indivíduo possue uma deficiencia de oxigenação, ventilação e claro de bomba cardíaca, consequemente o seu estado funcional não é mais o mesmo ja que seu sistema cardirrespiratório teve sua reserva depletada, reduzindo a sua tolerancia ao exercício e mesmo atividades funcionais da vida diária.
Ocasionando ao indivíduo um ciclo vicioso que consigo trará todos os efeitos deletérios do imobilismo dentre os principais: a substituição de fibras musculares, fibras oxidativas que são ricas em mitocondrias responsáveis pela via aeróbica por fibras glicolíticas que realizam o metabolismo anaeróbico, estas utilizam vias rápidas de obtenção de energia, tornando o metabolismo propenço ao acúmulo de ac. lático muscular durante a atividade.
Soma-se a desvantagem mecânica ventilatória, devido um diafragma com cúpula invertida, sendo necessário a utilização de musculatura acessória, aumentando o gasto energético e agravando a dispnéia. Além das alterações cardíacas que já existem e podem ser geradas durante o processo.
Frequentemente por todo o processo deletério da capacidade funcional esses indivíduos normalmente são hospitalizados devido a processos que aumentem o consumo energetico e que exigem um maior trabalho cardiorrespiratório tais como processos infecciosos, atividades exarcebadas ou simplesmente mudanças climáticas.
Até a próxima.





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3 comentários:

  1. Grande Venício, estás fazendo falta por aqui, apareça viu.
    Muito importantes estes ´posts de integração física e fisiopatológica envolvendo o aparelho cardiorespiratório.
    Um pedido, d~e uma apimentada no0 raciocínio e inclua os tão solidarios Rins na discussão.

    Grande abraço e sempre stou acompanhando o seu blog, dê notícias...

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  2. Brigadão ai galera
    vcs tb fazem muita falta
    Excelente rodrigo no próximo vou fazer isso
    e procurar um racicínio mais amplo e integrado
    Grande abraço!

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