sexta-feira, 5 de março de 2010

5 anos de que???


A muito tempo era a minha vontade publicar esse post. Mostrando toda a minha indignação quanto a nossa prática, principalmente no ambiente de terapia intensiva.
                A grande questão é: Cinco anos de que? Passamos cinco anos árduos no ambiente acadêmico absorvendo o máximo conhecimento sobre os sistemas orgânicos e ainda assim percebo, pelo pouco tempo que tenho de atuação profissional, que somos INCAPAZES de saber e impor o nosso devido papel. Penso nisso como se fosse uma negligência, falta de respeito, vergonha profissional e além de outros tantos adjetivos que estão envolvidos com a profissão.
                Muitas vezes reclamamos da falta de autonomia, mas como reclamar de algo se nem nos mesmos sabemos o que fazemos e o que tratamos. Esquecem que para a nossa terapêutica há um diagnóstico a ser intitulado (físico funcional) quase sempre negligenciado e claro ainda não temos o hábito de instituí-lo.
                Notoriamente esse grande buraco se encontra na formação dos profissionais que são lançados no mercado de trabalho de forma desenfreada. Muitas vezes tento dialogar com colegas sobre tal situação e sobre a nossa formação, a qual deve ser voltada ao campo físico, isso claro não é uma mera opinião minha, está publicado no meio científico como mostra o trecho abaixo retirado de um artigo do GODOY.

A fisioterapia hoje procura se expandir de todas as maneiras e setores e esquecemos de estabelecer um trabalho digno onde já estamos. Temos hoje um bombardeio de estudos sobre mobilização relatando como e quando devemos fazer seus benefícios sobre o sistema músculo esquelético e cardiorrespiratório e ai o bicho pega  ....  AINDA ASSIM OBSERVAMOS A FALTA DE ESTUDO DE PROFISSIONAIS QUE PRIVAM A FISIOTERAPIA E REALIZAM UM TRABALHO TÉCNICO ... observo muitas vezes na passagem de plantão a irritante pergunta “ELE TA SECRETIVO?”, caramba seria de se preocupar se não tivesse, uma árvore traqueobrônquica ressecada seria terrível (rsrs).
Poxa vida será que só pensamos em secreção ... secreção e... secreção? Preciso de cinco anos de estudo para aprender introduzir uma sonda e fazer um movimento circulatório mínimo de extremidades???    Afinal de contas é de se assutar quando vemos um cara traqueostomizado, fazendo flexão sentado dentro de uma UTI... carambaaaa se o cara pode fazer eu vou negligenciar e fazer apenas uma terapêutica sublimiar??? isso sim é de se preocupar.
E na procura por referências para estar escrevendo este post encontrei um breve relato importante no blog mobilidade funcional do professo Rodrigo Queiroz.
“Mas o alternativo era combater o desuso, a imobilidade, e isso não vem ocorrendo... Raro o fisioterapeuta que passa com uma bola, Halter, Theraband na mão, mas vá no bolso dele, certamente terá uma sonda de aspiração...”
O cara anda armado mesmo é só intimar que ele arranca o soro e a sonda de aspiração do bolso, desde quando aprendi o fato do paciente estar em ventilação mecânica por si só não é uma indicação de aspiração endotraqueal, claro q o estabelecimento de uma via aérea artificial dificulta o clerance mucociliar, mas não faz desse procedimento rotina temos critérios a ser adotados muitas vezes dos quais negligenciamos.
Será que ainda não conseguimos entender que o processo de levar uma sonda ao sistema respiratória inferior também exige a avaliação de um custo benéfico... quantas arritmias, eventos de hipoxemia, trauma de traqueia e claro atelectasias e mais atelectasias por uma sucção insaciável do ar do sistema respiratório do pobre enfermo. Sem falar nas alterações deletérias de mecânica pulmonar.

     
Mas me vem a pergunta o que você fisioterapeuta intensivista faz dentro da sua unidade que o torna particular como único profissional capaz de fazer determinada conduta. Porque até agora o que vejo qualquer um faz, a aspiração o técnico de enfermagem pode fazer com competência, a mobilização então que determinados profissionais fazem a galera na hora do banho bate de 10 a 0, é cada dissociação de cintura e exercício de ponte que muitos físicos do corpo humano não fazem. VAMOS ESTUDARRRR UM POUCO MAISSSS!!!

Deixo aqui a minha indignação.



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Um comentário:

  1. Compartilho sua indignação meu nobre Venício, mas se serve de consolo, vejo que o número de profissionais que não estão satisfeitos em serem visto como "aspiradores profissionais" está aumentando. Também acredito que já está na hora de pararmos de ficar apenas apertando botões no ventilador mecânico, como se estivéssemos jogando video-game.
    Concordo com o Rodrigo em gênero, número e grau. Precisamos mobilizar o paciente, colocá-lo sentado, de pé, incentivá-lo a se mover, a ajudar ativamente a enfermagem na hora do banho, enfim... a fazer o paciente se mover e deixar de ser apenas paciente (no sentido da passividade que esta palavra impõe).
    Mobilizar é preciso!
    Hasta la victoria siempre!
    Atenciosamente
    Humberto

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