quarta-feira, 22 de abril de 2009

DIAGNÓSTICO DO PADRÃO VENTILATÓRIO


Quantas vezes me deparei com a seguinte situação: Venício... Qual o padrão ventilatório do paciente que você avaliou? ... e eu na base do “olhometro” respondia: É MISTO.
Mas o que isso realmente significa? Será que somente olhando para o tórax e o abdômen do paciente poderia fechar um diagnóstico de tamanha importância como é esse? Será o que para mim é misto para o meu colega será a mesma coisa e não um apical ou abdominal?
O diagnóstico do padrão ventilatório nos diz bastante sobre o seu esforço para realizar a ventilação e bem como do uso do principal músculo da inspiração, o diafragma
.
O índice diafragmático é capaz de nos dizer fielmente as mudanças de dimensões do tórax e do abdômen durante a inspiração e expiração. Esse índice é obtido através da seguinte equação:

ID = ∆AB/ ∆AB + ∆TX


Onde:
ID – índice diafragmático
∆AB - variação do perímetro do abdômen durante a inspiração e a expiração tranquila.
∆TX – variação do perímetro do tórax durante a inspiração e a expiração tranquila.

MENSURAÇÃO
∆AB – mensurada ao nível da cicatriz umbilical
∆TX – mensurada ao nível do 4º espaço intercostal (algumas referências citam ao nível do 2º espaço intercostal)

*Importante registrar no prontuário o ponto de referência para mensuração

Pesquisando em alguns artigos e livros encontrei esse índice para a avaliação do padrão ventilatório e a seguinte definição: Quanto maior o índice menor será a utilização da musculatura ventilatória acessória e maior a utilização do diafragma, e quanto menor o índice maior a utilização da musculatura acessória e menor a utilização do diafragma.
Mas quando esse índice nos mostra se a ventilação é apical, abdominal ou mista? Para responder tal pergunta primeiramente precisamos entender quando ocorre cada uma dessas situações.

PADRÃO APICAL: Ocorre o uso predominantemente da musculatura acessória ventilatória. Esse tipo de ventilação está presente em pacientes acamados por longa data e que perderam a consciência diafragmática e ainda naqueles pacientes que demandam por um maior esforço ventilatório devido alguma causa aparente (aumento da resistência das vias aéreas, maior demanda ventilatória, devido a grande atelectasias, etc.), necessitando de um maior esforço inspiratório.

PADRÃO ABDOMINAL: Há utilização predominantemente do diaframa (principal musculo inspiratório). É o padrão dito como ideal, uma vez que o diafragma é responsável por 70% da ventilação do indivíduo.

PADRÃO MISTO: Há igualmente o uso da musculatura acessória quanto do diafragma. A ventilação mista pode estar presente em mulheres sem alterações clínicas ou em indivíduos que começam a ter uma alteração do padrão ventilatório.

A caracterização do padrão ventilatório através desse índice não é muito encontrada na literatura, em todas as fontes pesquisadas, com exceção de um artigo, não foi mencionado esse índice como fim diagnóstico e se de comparação terapêutica antes e após a intervenção, então seguimos o raciocínio da seguinte forma.

- Quando o índice for igual a 0,5 dizemos que o paciente possui um padrão misto, uma vez que não há predominância do uso de uma musculatura sobre a outra, ou seja, a movimentação torácica e igualmente a movimentação abdominal.
- Quando o índice for menor que 0,5 dizemos que o paciente possui um padrão apical, uma vez que há predominância do uso da musculatura ventilatória acessória sobre a diafragma, ou seja a movimentação torácicaa é maior do que a abdominal.
- Quando o índice for maior do que 0,5 dizemos que o paciente possui um padrão abdominal, uma vez que há predominância do uso do diafragma (ideal) sobre a musculatura acessória, ou seja a movimentação abdominal é maior do que a torácica.

Como podemos observar dificilmente encontraremos um paciente com um padrão misto (o que muitas vezes é diagnosticado sem medidas), pois para esse diagnóstico ser fechado é necessário o valor exato do índice diafragmático (0,5).
Podemos então concluir que o diagnóstico do padrão ventilatório através do índice diafragmático é um método simples, barato e prático de se realizar. Demanda apenas da utilização de uma fita métrica para mesuração e um pequeno cáculo para o seu diagnóstico se tornar puramente físico e científico e sair do empirismo.
O índice diafragmático também pode ser usado para fins comparativos antes e após a intervenção fisioterapeutica, mas tal discussão não cabe a esse discurssão e sim para assuntos posteriores.

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3 comentários:

  1. Massa... . É um modo fácil e compreensível para mensurar a expansibilidade tóraco-abdominal na prática clínica. Eu vi em um artigo tbm o (IATA) que é Índice de Amplitude Tóraco-abdominal. Nele se pega o valor ponderado entre as medidas dos
    perímetros torácicos (nos níveis axilar, xifoidal e umbilical) obtidas tbm com a fita métrica na inspiração e expiração máximas. Tbm é uma forma de estar dando este diagnóstico de padrão ventilatório. rsrs Engraçado que eu tbm me pego fazendo este diagnóstico no "olhometro". O que acho interessante de mesnsurá-lo é principalmente para ver se sua técnica teve eficácia!! como disse vc "fins comparativos antes e após a intervenção fisioterapeutica".

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  2. Fazendo uma comparação grosseira a nível de figura histórica dentro da fisioterapia estamos diante de um novo Azeredo uma comparação grosseira levando em consideração o fato de que venicio nao fuma então ele tem mais chances de ter uma expectativa de vida maior e assim contribuir ainda mais para a evolução da da fisioterapia e da humanidade como um todo!!
    porra vei parabéns pela iniciativa do blog puta merda é realmente notável quando alguem se preocupa em divulgar o conhecimento nesse nível de forma clara,objetiva e realmente útil por exemplo poderia ser postado aqui um artigo viajado que usava ergoespirometria num sei quê uma coisa totalmente fora da nossa realidade valew!!!

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  3. Parabens Venício pela iniciativa! Na primeira postagem nao tive noção de como esse blog ia ter tanta importancia para a Fisioterapia, mas me deparei com uma forma de estimular o nosso conhecimento da forma mais correta! Continue assim, contribuindo, fazendo a sua parte, para que a Fisioterapia conquiste o seu espaço, a sua autonomia e comprove sua eficácia!
    Com certeza aqui será um meio, pelo qual, facilitará a minha tomada de decisoes e estimulara os meus futuros procedimentos e avaliacoes corretamente. Estarei sempre por aqui...Valeu pela contribuição!
    Grande abraço!

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